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O que é a Osteopatia?

A Osteopatia é uma medicina manual que tem como base a unidade do corpo visando o restabelecimento do equilibrio a nível articular, visceral e craneano, sendo para isso necessário a contribuição do organismo a que se dá o nome de sistema de auto-cura.

A Osteopatia assenta no profundo conhecimento da anatomia, fisiologia, neurologia e biomecânica.

O Osteopata usa a mão como único utensílio de trabalho para avaliar e identificar as perdas de mobilidade das estruturas para chegar ao diagnóstico osteopático e em função da patologia, idade e estado geral do doente  ele aplica as técnicas manuais mais adequadas a fim de restituir a mobilidade perdida. 

Como é uma consulta de Osteopatia?

Pode demorar de 45 min. a 1 hora ou mais, conforme as situações e consta do seguinte:

  • História clínica ou anamnése, em que o osteopata interroga o doente sobre as queixas, antecedentes e fatores desencadeantes;
  • A interpretação de exames complementares de diagnóstico que o doente possua são uma grande ajuda;
  • Testes posturais nos quais são avaliados a forma como o organismo funciona, desequilíbrios posturais e compensações;
  • Testes de mobilidade e palpação em que se identifica as estruturas que se encontram em lesão e que estão na origem das queixas;
  • Diagnóstico osteopático que se diferencia do diagnóstico médico convencional;
  • Aplicação de técnicas manuais específicas com a finalidade de restituir a mobilidade perdida e reequilibrar todo o organismo;
  • São dados conselhos práticos ao doente nomeadamente na contenção de realização esforços e más posturas que podem ser nefastos e interferir numa normal recuperação. Alguns ajustamentos dietéticos podem ser necessários.
  • Uma nova consulta de reavaliação e tratamento, após uma semana, poder-se-á justificar.

Tipos de Técnicas

  • Técnicas Parietais ou Articulares; 

  • Técnicas Viscerais;

  • Técnicas Cranianas.

As Técnicas Articulares aplicam-se em qualquer articulação periférica e coluna vertebral e nestas incluem-se as técnicas directas, em que a correção é dada no sentido da restrição encontrada num movimento breve e seco, conhecido por "trust" e ao contrário do que se possa pensar nunca são gestos agressivos ou traumatizantes, mas que proporcionam alívio imediato sem qualquer risco. As técnicas fasciais são muito suaves com um apoio muito leve das mãos do terapeuta sobre o corpo que procuram restituir a mobilidade dos tecidos, fáscias, aponevroses e músculos quer superficial quer profundamente. As técnicas de Sutherland também são bastantes suaves as quais usam a respiração como fator de relaxamento e corrigem as estruturas sempre no sentido da sua maior mobilidade esperando-se por uma resposta do organismo. As técnicas de Jones usam o posicionamento durante 90 segundos dos diversos segmentos do corpo para proporcionar relaxamento e assim promover a sua correção. Nas técnicas miotensivas são pedidas pequenas contrações musculares no sentido de maior mobilidade, seguidas de um relaxamento para se poder ganhar na amplitude restrita.

As Técnicas Viscerais são extremamente importantes em osteopatia uma vez que qualquer órgão que não funcione bem vai congestionar todo o abdómen criando mau-estar local e influenciar outras estruturas à distância. Estas técnicas são sempre executadas com a respiração e visam restituir a mobilidade e motilidade do órgão e reequilibrar todo o conteúdo abdominal e pélvico. Por exemplo, uma pessoa que tenha más digestões, para além do desconforto abdominal, enfartamento e refluxo gastroesofágico pode sentir uma dor dorsal à esquerda, dor no ombro homolateral ou cervicalgias à esquerda, pois o estômago está localizado mais à esquerda e os seus meios de suporte (ligamentos), através de fáscias e aponevroses influenciam aquelas estruturas. Por outro lado, uma visícula biliar que funcione mal pode influenciar as mesmas estruturas mas à direita. Uma lombalgia pode ter como origem uma obstipação ou esta agravar uma lombalgia já instalada, pelo simples fato de o intestino ter profundas relações anatómicas com a coluna lombar.

Nesta região, temos de referir o músculo diafragma como estrutura muito importante não só pelas suas ligações com a coluna dorso-lombar e conteúdo abdominal, mas ele exerce influências anatómicas à distância com praticamente todo o organismo para além de acumular todo um conjunto de informações de carácter emocional que conduz ao seu bloqueio.

As Técnicas Cranianas constituem uma mais-valia no tratamento osteopático. O cranio é composto por vários ossos ligados entre si pelas suturas que inicialmente pensava-se que estariam completamente encerradas não permitindo qualquer tipo de mobilidade entre as diversas peças ósseas. Contudo, estudos comprovaram e registaram micro-movimentos como de uma verdadeira articulação se tratasse. A osteopatia craniana assenta na presença desta mobilidade nas suturas e num impulso ritmico no interior do cranio distinto de qualquer outra pulsação conhecida. Estes fenómenos foram descobertos e estudados por W. G. Sutherland e denominados de Mecanismo de Respiração Primário e reportam-se a todo o corpo. Este mecanismo compreende os movimentos próprios de cérebro e da medula, a flutuação do líquido cefalo-raquidiano, a mobilidade das membranas intra-cranianas, a mobilidade dos ossos do cranio bem como a mobilidade involuntária do sacro entre os ilíacos.

O trabalho craniano avalia as perdas de mobilidade entre os diversos ossos do cranio, face, mandíbula e articulação temporo-mandibular e através de técnicas muito suaves e finas vai restituir-se essa mobilidade perdida, reequilibrando todo o conjunto não só local como à distância através do mecanismo cranio-sagrado que assenta na relação do cranio com o sacro, por intermédio de uma membrana que reveste toda a abóboda craniana, fixa-se nas primeiras vértebras cervicais, prolonga-se por toda a coluna vertebral e insere-se na face anterior do cóccix - é a dura-máter.

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